Diocese de Viseu

Para um rosto missionário da Igreja em Portugal

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Enviado por felisberto em 26/07/10 - 19:45

Respondendo ao apelo do Congresso Missionário de 2008, a Conferência Episcopal publicou, há cerca de um mês, uma Carta Pastoral destinada a "servir de orientação à Missão em Portugal, no sentido de avivar a vocação missionária de todos os cristãos".



Esvanecido o fulgor missionário de tempos passados, Portugal "faz parte daqueles espaços tradicionalmente cristãos, onde, para além de uma nova evangelização, se requer, em determinados casos, a primeira evangelização".

Os crescentes fluxos migratórios trazem e levam culturas novas, situações sociais novas e religiões desconhecidas. Diante do pluralismo cultural e religioso, aliados à secularização, ao crescente individualismo e ao relativismo e indiferença, "já não são os campanários das igrejas que marcam o ritmo da vida das pessoas".

O Evangelho de Jesus Cristo é cada vez menos conhecido e, para muitos que dizem conhecê-lo, "perdeu muito do seu encanto e significado".

A situação exige da Igreja, segundo a Carta Pastoral,  "uma nova cultura de evangelização", que "implica movimento e comunicação, e requer tempo, formação, inteligência, entranhas, mãos e coração", promovendo junto das pessoas um verdadeiro encontro pessoal e decisivo com Jesus Cristo, como recordava Bento XVI, por ocasião da sua visita a Portugal.

A identidade missionária de cada cristão tem a fonte no amor de Deus, que nos enviou o Filho e o Espírito Santo. Daí resulta que "a causa missionária deve ser, para cada cristão e para toda a Igreja, a primeira de todas as causas", a exemplo do Bom Pastor, "que não abandona ninguém, mas vai à procura de todos e cada um com paixão".

Este é "o primeiro e o melhor serviço" que a Igreja tem que prestar ao homem e à humanidade inteira, como lembrava João Paulo II. Todo o evangelizado deve tornar-se evangelizador, verdadeiro "agente livre no meio da vida pública".

Na carta Pastoral, os Bispos lembram que "as Igrejas locais são o sujeito primeiro da missão", pois é nelas que incarna a Igreja universal e delas que deve partir "o primeiro anúncio como sinal da sua fecundidade e fidelidade", alimentando em si "a solicitude por todas as outras".

Dos fiéis leigos se espera "um contributo indispensável no coração do mundo", registando-se com alegria o número crescente de leigos, especialmente jovens, que "doam, com alegria e generosidade, um pouco da sua vida ao mundo missionário, e que regressam com novo entusiasmo, que temos de saber acolher, estimular e multiplicar, e nunca ignorar, esquecer ou reprimir".

E a terminar, a Carta Pastoral salienta que "as crianças e os jovens, quando devidamente preparados e estimulados, parecem particularmente aptos para criar relações de simpatia e de acolhimento, de modo a saberem dar o Evangelho juntamente com a sua própria vida", podendo "tornar-se os mais eficazes evangelizadores das crianças e dos jovens, mas também dos adultos e idosos".

G.I.



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